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sexta-feira, 9 de abril de 2010

Babá um baixinho bom de bola

O futebol cearense está de luto com a morte do ex-jogador Babá. Nas primeiras horas desta quinta-feira, Mário Braga Gadelha, aos 75 anos, faleceu após não resistir a uma cirurgia no coração.

Babá marcou época no futebol brasileiro com a camisa do Flamengo, na ponta esquerda, e esteve próxima de ir para Copa do Mundo de 1958.

O corpo de Babá foi velado na Câmara Municipal de Caucaia, no município em que ele residia.

Fonte: http://blogs.diariodonordeste.com.br/jogada/ex-jogador-baba-morre-aos-75-anos/

Babá, um caucaiense na história do futebolEm 24 de abril de 1934 nascia em Aracati Mário Braga Gadelha, ou simplesmente Babá, terceiro filho de Horácio de Sousa Gadelha e Francisca Braga Gadelha. Nasceu em Aracati mas já no quarto dia de vida veio para Caucaia e, tempos depois, ainda adolescente, adotou a terra como berço e campo para expressão de sua arte, a arte de jogar futebol. No dia 05 de novembro de 1996, a Câmara Municipal de Caucaia reconheceu o talento do filho adotivo e, em nome do povo, a ele concedeu o título de cidadão. Babá, cidadão do mundo, recebia naquele momento o reconhecimento da sua gente, o povo com quem trocou passes e fez gols de placa no esporte e na vida.

A intimidade com a bola começou muito cedo, o garoto baixinho e franzino chamava a atenção. Atualmente com 75 anos Babá ainda lembra de como começou sua trajetória no futebol. “ Eu era muito pequeno quando comecei a brincar de bola nos campinhos perto de casa, perto do mercado e Centro Social Urbano. Antigamente Caucaia tinha poucas casas e a gente podia brincar em qualquer local com segurança. Naquele tempo minha família morava na Rua Padre Romualdo onde eu me reunia com os outros garotos, entre eles, Ferreira (Ceará), Willame (Ferroviário) Mauro Gadelha (Ceará) ” .

Aos 15 anos Babá iniciou sua carreira no time do seu pai, o Paysandu – Caucaia. Em 1952, com 16 anos, contratado para o juvenil do Ceará Sporting Clube, sendo logo promovido à categoria profissional foi bicampeão (1951/52), formando uma das maiores linhas de atacantes do futebol cearense com Mauro Gadelha, Alencar, Pipiu e Antonino. Em 1953 ele foi vendido para o Flamengo, foi campeão pelo juvenil, aspirante e tricampeão carioca (1953/54/55), pelo time de profissionais, ao lado dos craques Pavão, Dequinha, Joel, Rubens, Evaristo, Zagalo e Dida. Em 1958 foi convocado para a seleção Brasileira de Futebol, um dos jogos amistosos, contra a Iugoslávia o placar foi de 3x3, um gol do craque caucaiense. Nesse mesmo ano jogando pelo Flamengo em Tel Aviv aconteceu um fato interessante Babá na ponta esquerda, perto do alambrado, de repente ouviu um grito: “ cornin, baixinho, filho de uma ...., joga bola..... ” . Ele ficou surpreso, pelo palavreado, só podia ser um cearense. Isso foi durante todo jogo. Terminou a partida o time ia para o ônibus, quando Babá viu dois jeeps do exército brasileiro cheios de soldados, entre eles o general Zé Maria do Biá, era a voz que gritava durante todo o jogo. Zé Maria jogou em Caucaia no Paysandu,e veio de Suez, onde comandava a tropa brasileira, para assistir o jogo do Flamengo j em Tel Aviv. O ofiicial de patente superior queria cumprimentar pessoalmente o colega e conterrâneo. Foi um reencontro e tanto, saudado com palavras só conhecidas no idioma “ cearanês ”.

Em 1959 no Rio de Janeiro é escalado para a Seleção Carioca de Futebol, na época o Campeonato Brasileiro era disputado entre as seleções dos Estados. Em uma dessas partidas a Seleção Carioca foi jogar em Natal – RN e seu companheiro de quarto de Hotel Jordan (também do Flamengo) ouvindo rádio de repente grita o seu nome “ Babá, é do Ceará, um jogo de futebol e tão falando da tua terra Caucaia ” . O jogo era uma final do intermunicipal entre Caucaia x Quixeramobim, Caucaia foi campeã. Muito emocionado, pois estavam falando de sua terra, de seus familiares, no dia seguinte Babá pegou um avião e veio para sua cidade, abraçar seu pai, seus irmãos e os amigos campeões. No Flamengo ele ficou até 1967 quando foi vendido para o México e foi jogar na Universidade Nacional Autônoma, onde passou quatro anos, sendo destaque na equipe mexicana. Voltando para o Flamengo em 1966, não pode jogar pois tinha passe preso ao México que não admitia negociar com nenhum time brasileiro. Para não ficar parado foi jogar no Esporte Clube Bahia em partidas amistosas, por todo o Brasil como uma das principais atrações da equipe. Para Babá sua fase de ouro foi na Gávea.

No dia 25 de junho de 1995 a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) homenageia o atleta. No intervalo do clássico Ceará e Fortaleza o ex-jogador, então com 62 anos recebe, por seu comportamento em campo e nunca ter sido expulso, o prêmio BELFORT DUARTE – A maior honraria para um jogador de futebol. “ Essa homenagem foi um momento de extrema felicidade para mim ” , destacou emocionado. Segundo ele o futebol só lhe trouxe alegrias e durante sua trajetória recebeu várias medalhas. Sempre f lembrado, em 2000 colocou seus pés na Calçada da Fama, no Rio de Janeiro, junto com os maiores artilheiros do clube. Na ocasião recebeu uma placa com uma dedicatória: “ Ao Babá o reconhecimento do Clube de Regatas Flamengo pelas suas conquistas que aumentaram o acervo de glórias do Pavilhão Rubro Negro ” (Rio 05.07.75).

Babá encerou sua carreira no futebol aos 34 anos, segundo ele muito cedo, pois poderia jogar mais tempo, mas preferiu dar novos rumos a sua vida e aceitou um emprego na Companhia das Docas do Ceará. Quando se aposentou passou a treinar uma escolhinha de futebol em Caucaia, apoiada por um convênio com a CBF. Hoje, aos 75 anos, o ex-craque continua morando nesta cidade com sua família. Ele finalizou dizendo que o município de Caucaia continua como na época de infância. “ Infelizmente este município ainda não desenvolveu como devia, não temos grandes indústrias para dar emprego a todos. Aqui a maior empresa empregadora é a Prefeitura, quem não trabalha no serviço público, trabalha em Fortaleza. Até hoje nenhum prefeito se preocupou com isso, vamos torcer que o atual prefeito faça diferente e mude a situação econômica de Caucaia, implantando empresas de médio e grande porte ” .

Fonte: http://www.caucaia.ce.gov.br/conteudo/baba-caucaiense-na-historia-do-futebol

Um comentário:

Orlando Lino de Oliveira disse...

Sou paraense e resido em Sta. Izabel do Pará ,há 35km de Belém.Porém meus avós maternos eram de Caucaia, cidade que pretendo conhecer um dia.
Acompanhei o Flamengo em várias campanhas,inclusive nos anos 50, quando contou com um poderoso ataque, como:Joel,Rubens,Índio,Dida e Babá.Realmente este baixinho era infernal, orgulho dos caucaienses.