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segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

BICAMPEÃO



Sub-16 derrota o Fluminense e comemora o bicampeonato do Torneio Guilherme Embry dentro de Xerém

Bruno pega mais um pênalti, Weverton faz o gol do título e futebol de base rubro-negro conquista o 18º troféu em uma temporada que ainda não acabou.

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Um gigante que se alimenta de títulos desde cedo. Em uma temporada vitoriosa, que ainda não terminou para os Garotos do Ninho (o Sub-20 disputa a Copa Ipiranga Internacional, em Porto Alegre, e o Sub-17 decidirá o título da Copa do Brasil contra o Fluminense em duas partidas no Maracanã, antes de encerrar o ano no Japão), a equipe Sub-16, comandada pelo treinador Ramon Lima, derrotou o Fluminense por 1x0 (Weverton) na tarde desta segunda-feira (03), e sagrou-se bicampeã do Torneio Guilherme Embry, o Campeonato Estadual da categoria, dentro de Xerém. Esse foi o 18º título do futebol de base do Flamengo até aqui na temporada, se aproximando da temporada 2016, que até hoje representa a mais vitoriosa da história do clube em números de conquistas, com 19.



Foto: Ian Sena/Flamengo

Logo no primeiro minuto de jogo, Mayquinho cobrou falta com perigo. A bola quicou na entrada da pequena área, mas o goleiro Marcelo fez a defesa sem dar rebote. O clássico, como todo jogo decisivo costuma ser, era muito disputado e tinha poucas chances de gol nos minutos iniciais. Com a vantagem do empate em suas mãos, o Mais Querido fazia um jogo controlado e não corria riscos, enquanto o Fluminense buscava não se expor muito na primeira etapa. 

O tricolor criou sua primeira chance de gol apenas aos 33 minutos. Kaká fez boa jogada e cruzou rasteiro. Otávio salvou, e no rebote a zaga chegou no tempo certo para bloquear o chute de Jhonny. Já nos acréscimos, o Mais Querido teve duas chances para abrir o marcador. Primeiro com Weverton, que soltou uma bomba de primeira para grande defesa de Marcelo. Na sequência com Dhouglas, que bateu por cima do travessão. 


Foto: Alexandre Neto/fotodojogo

O Flamengo voltou para a segunda etapa disposto a ser bicampeão estadual Sub-16, e o gol não demorou a sair. Logo aos três minutos, Mayquinho chutou rasteiro da entrada da área. A bola parou nos pés de Weverton, que dominou com muita qualidade, usou o corpo para girar em cima da marcação e soltou um petardo no ângulo direito de Marcelo, que não teve chance alguma de fazer a defesa. Dois minutos depois, a arbitragem assinalou pênalti a favor do Fluminense. Miguel cobrou e, mais uma vez na temporada, o paredão rubro-negro Bruno brilhou e fez a defesa, mantendo a vantagem rubro-negra no placar. 


Foto: Alexandre Neto/fotodojogo

Aos 20 minutos, o Fluminense criou boa trama ofensiva e chegou perto do empate, mas a finalização de Kaká saiu por cima do gol de Bruno. Os Garotos do Ninho responderam aos 29, em chute cruzado de Caio. Marcelo estava atento e espalmou para escanteio. Na cobrança, Hugo subiu bem, mas a cabeçada saiu sobre o gol tricolor. Nos minutos finais, o Fluminense ainda tentou impor certa pressão, mas os Garotos do Ninho controlaram bem a vantagem, e apenas aguardaram o apito final para comemorarem o 18º título do futebol de base rubro-negro na temporada.

Flamengo: Bruno, Marcos Felipe (Pedro Arthur), Otávio, Hugo (Vinicius), Caio; Dhouglas, Peçanha (Daniel Campos), Mayquinho (Diego), Jean Carlos (Jhonata), João Pedro (Richard) e Weverton (Gabriel Borsatto). Treinador: Ramon Lima.

Ao L!, Rondinelli relembra carreira e gol que deu título ao Flamengo

"Deus da Raça" marcou o único gol da vitória sobre o Vasco em 1978, que garantiu troféu do Campeonato Carioca ao Rubro-Negro. Conquista completa 40 anos nesta segunda-feira

Rondinelli
Rondinelli, camisa 3, marcou o gol que deu ao Flamengo o título do Carioca de 78 sobre o Vasco (Foto: Reprodução)

Bárbara Mendonça

Rio de Janeiro (RJ)
 
O relógio marcava 42 minutos do segundo tempo. No placar, 0 a 0, resultado que dava o título do Carioca de 1978 ao rival Vasco… Até que chegou Rondinelli. Zico cobrou escanteio para o Flamengo e viu o zagueiro correr em direção à área, subir mais alto que Abel e cabecear a bola para o fundo das redes do goleiro Leão. “Daqui a cinquenta anos, dirão os que viveram o grande dia: ‘Nunca o Flamengo foi tão Flamengo!’”, disse Nelson Rodrigues sobre a vitória simples, que garantiu ao Rubro-Negro seu 18º título estadual.

A famosa conquista do Campeonato Carioca completa exatos 40 anos neste 3 de dezembro de 2018. Ao LANCE!, Rondinelli, o “Deus da Raça”, relembrou sua carreira como zagueiro e o triunfo estadual - considerado por muitos como o marco zero da “Geração Zico”, a mais vitoriosa da história do Flamengo. Entre os anos de 1978 e 1983, a equipe da Gávea faturou três Brasileiros, quatro Cariocas, uma Libertadores e um Mundial.

Além do título, o antológico gol deu fim a um histórico jejum do Flamengo. Em 1978, o clube amargava cinco jogos sem marcar sobre o Vasco, a maior sequência rubro-negra sem gols no Clássico dos Milhões até os dias de hoje. Do dia 24 de abril de 1977 até o 3 de dezembro de 1978, foram quatro empates por 0 a 0 e uma vitória do Cruz-maltino por 3 a 0.

- Realmente foi um divisor de águas. Vínhamos de fases adversas, de nenhuma conquista de campeonato. Vejo (essa atribuição) de uma forma positiva em relação à liderança do nosso maior ídolo, Zico. Isso sempre contribuiu para que os jogadores chegassem ao clube e se espelhassem nessa geração enquanto profissionais. Foram grandes conquistas, o ambiente de trabalho, amizade, confiança, respeito, amor. Gratidão desde o presidente até o funcionário mais humilde do clube, que nos ensinaram a ter amor por esta sigla CRF - declarou o ex-camisa 3 da Gávea.

A conquista do Carioca ainda teve um gostinho especial para Rondinelli: além da 'redenção' rubro-negra com o fim da seca, o título marcou o triunfo da Gávea sobre uma equipe que era 'muito melhor que a nossa', na opinião do zagueiro. O plantel da Colina tinha nomes como Leão, Abel, Gaúcho e o ídolo Roberto Dinamite.

Rondinelli
O registro do lance: Rondinelli subiu e cabeceou nas costas de Abel Braga (Foto: Reprodução)
História de Rondinelli no Flamengo começa anos antes do famoso título
 
Muito antes da glória estadual, Antônio José Rondinelli Tobias desembarcou no Rio de Janeiro em 1968 com um 'empurrãozinho' de Velau. Por coincidências da vida, o ex-atacante do Rubro-Negro na década de 1940 montou uma oficina na cidade natal do Deus da Raça, e disse ao zagueiro que ele poderia fazer testes no clube da Gávea (Velau já tinha indicado o meia Zanata ao Flamengo).

- Cheguei à categoria de base em 1968 para fazer meu primeiro teste. Por circunstâncias da vida, ele residia em São José do Rio Pardo, minha terra natal e de meus familiares. Não é que eu não tivesse tido apoio, mas é que eu era uma criança sem experiência numa cidade grande como o Rio de Janeiro. Houve uma grande contestação do meu saudoso pai Dário. Por outro lado, houve grande apoio da minha mãe Sylvia. O grande incentivador foi mesmo meu avô Sylvio Rondinelli - completou.

O avô nasceu na Itália e era um apaixonado pelo Palestra, atual Palmeiras. O avô levava o jovem Antonio aos estádios de futebol sempre que possível. No hall de ídolos, o patriarca da família tinha Oberdan, Djalma Santos, Tupãzinho, Servílio e Ademir da Guia como estrelas principais.

Além de Sylvio, Antonio tinha o tio Vicente Rondinelli como figura dentro do meio do futebol. Vicentino, como era conhecido, começou a carreira no Fluminense e chegou a jogar no Flamengo ao lado de Fernandinho, primeiro goleiro profissional da história do Rubro-Negro.

Promovido ao grupo profissional em 1974, Rondinelli morou sob o mesmo teto que Cantarele em um pequeno apartamento alugado no bairro do Flamengo, uma experiência que marcou 'momentos de libertação e o começo da independência' da dupla no Rio de Janeiro.

Rondinelli - Flamengo
Rondinelli é ídolo do Flamengo até os dias de hoje (Foto: Reprodução)
 
- Me lembro principalmente entre os anos de 1972 e 1974, quando comecei a assumir a vaga de titular no Flamengo. Devido às conquistas do bicampeonato no juvenil, despontei e me sobressaí em jogadas, despertando olhares do técnico do time principal, Fleitas Solich, além de outros treinadores. Foi muito gratificante e prazeroso conviver com Cantarele, um baita amigo e conselheiro. Uma experiência muito valiosa para o que somos hoje - disse.

Com a vaga na zaga garantida e os desempenhos de destaque, Rondinelli foi convocado para a Seleção Brasileira durante a preparação para a Copa do Mundo de 1978. Entretanto, uma lesão após seu retorno ao Flamengo quebrou a sequência titular no clube da Gávea - e ele quase foi parar no Internacional em troca de um atacante. O ex-camisa 3 contou suas motivações para reconquistar a posição no time de Claudio Coutinho, 'o grande nome' dentre os treinadores com quem trabalhou.

Postura em campo e a alcunha de "Deus da Raça"
 
É fácil entender de onde vem o apelido carinhoso: não faltam episódios em que o ex-camisa 3 parou as jogadas adversárias na base da garra. Na final do Campeonato Brasileiro de 1980 - o primeiro dos seis triunfos do Flamengo - , Rondinelli ficou de fora do duelo de volta contra o Atlético-MG. O motivo? Ele quebrou o maxilar no que muitos acreditam que foi uma dividida com Éder; o "Deus da Raça" revelou ao L! que, na verdade, a jogada em questão envolveu o atacante Palhinha.

- Ele me deu uma cotovelada na região do maxilar, onde tive uma fratura. Por consequência, (fiz) uma cirurgia delicada que acabou tirando a minha audição total do ouvido esquerdo. Minha esposa escreveu um bilhete, dizendo que eu estava passando bem e que os atletas jogassem por mim, mesmo eu estando hospitalizado - acrescentou Rondinelli.

O ex-jogador não nega que a raça dentro de campo foi um dos artifícios que ele encontrou para compensar pela baixa estatura. O zagueiro tem 1,76m, altura considerada abaixo da média para os atletas da posição.

Rondinelli
Rondinelli recebeu o apelido carinhoso de 'Deus da Raça' da torcida rubro-negra (Foto: Reprodução)
 
- Eu era um jogador voluntarioso e com muito afinco. Não gostava de perder nem em treinos. Assim, consegui conquistar a torcida, com minha raça e coragem "suicida" para evitar qualquer gol dos adversários. Dessa forma eu compensei minha baixa estatura e minha técnica limitada - afirmou.

Em outro lance marcante, Rondinelli se viu em uma disputa de bola com Rivellino durante um Fla-Flu amistoso. Para afastar o perigo, a reflexão do zagueiro foi rápida: por que não tirar a bola do pé do meia com a cabeça? O lance gerou preocupação até mesmo no rival, que deu uma bronca no rubro-negro após a conclusão da jogada.

- Ele virou e falou exatamente “você ficou louco, garoto? Você quer que eu te arranque a cabeça?" (risos). Jamais me passou pela cabeça que me exceder em raça, vontade e determinação fosse prejudicar a minha carreira como atleta profissional. Nenhuma lesão ou contusão me assustou - relembra.

Saída do Flamengo e a ausência nos troféus de 1981Se por um lado Rondinelli 'abriu as portas' para as conquistas de geração 1978-1983, por outro ele não participou das duas maiores delas: a Libertadores e o Mundial. Em 1981, o zagueiro deixou o Flamengo após ser negociado com o Corinthians.​ De acordo com o camisa 3, a principal motivação para sua saída foi um maior interesse da Gávea em apostar em novas fichas da base.

- Não me arrependo de ter sido negociado com o Corinthians. São situações que ocorrem de interesse com os clubes. No momento, foi o melhor para mim e para ambas as equipes. À época, havia o interesse (no Flamengo) em jogadores mais novos que vinham se destacando, com condições de escrever suas histórias, feitos na base, como eu. São os casos do Figueiredo e do Mozer, por exemplo - lembrou.

A distância do grupo campeão em nada diminuiu o sentimento do zagueiro de fazer parte do caneco - e o clube também fez questão de reconhecer a importância de Rondinelli. Prova disso é que o Flamengo enviou duas faixas de campeão (tanto da Libertadores quanto do Mudial) ao camisa 3, que estão guardadas com carinho até os dias de hoje (veja na foto abaixo).

Rondinelli e a faixa de campeão da Libertadores em 1981
Rondinelli e a faixa de campeão da Libertadores (Foto: LANCE!)
 

segunda-feira, 26 de novembro de 2018

TETRACAMPEÃO! Flamengo/Marinha faz bonito, vence Duque de Caxias e leva taça do Carioca Feminino

Flávia marca três vezes, Dany Helena e Pamela completam o placar final

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Foto: Divulgação/Flamengo

Quatro Campeonatos Cariocas de Futebol Feminino disputados, quatro conquistas. Neste sábado (24), o Flamengo/Marinha entrou em campo no estádio Moça Bonita contra o Duque de Caxias determinado a conquistar mais uma taça. Em uma bela partida, Flávia fez três gols, Dany Helena e Pamela deixaram um, e o Mais Querido venceu por 5 a 0 na decisão.

O primeiro tempo foi de domínio do Flamengo. Enquanto o Duque de Caxias tentava sair para o ataque, esbarrando na forte defesa rubro-negra, o Mais Querido conseguiu se manter no campo de ataque o tempo todo, sofrendo apenas um susto das adversárias. Com gols de Flávia aos 4 minutos, Dany Helena aos 10' e Flávia novamente aos 40', o Rubro-Negro saiu para o intervalo vencendo por 3 a 0.

A segunda etapa foi mais difícil, já que o Duque de Caxias entrou buscando muito o ataque. Porém, não adiantou e a qualidade rubro-negra sobressaiu. Pamela colocou a bola no ângulo em uma pancada pelo lado direito e Flávia encerrou o marcador com um lindo gol invadindo a área. 5 a 0, festa com a Nação e o tetracampeonato.

Agora, as rubro-negras entram de férias com o fim da temporada, encerrando o ano com o título Mundial Militar e o Estadual.

Sub-20 supera o Fluminense na final e conquista seu 10º Torneio OPG na história

Além de se consolidarem como os maiores vencedores da competição, Garotos do Ninho garantem o quinto título na temporada.

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Insaciáveis por títulos. Os Garotos do Ninho da equipe Sub-20 do Flamengo, que somente na atual temporada já haviam conquistado a Copa São Paulo, a Taça Guanabara, o Campeonato Carioca e o Trofeo Dossena, na Itália, mostraram mais uma vez que não há limites para o futebol de base rubro-negro. Na tarde desta sexta-feira, na Gávea, o Mais Querido empatou com o Fluminense por 0x0 e, beneficiado pela vitória por 1x0 na partida de ida, disputada no Estádio das Laranjeiras, conquistou, pela décima vez na história, o título do Torneio Otávio Pinto Guimarães (OPG), se consolidando ainda mais como o maior vencedor da competição. De quebra, o Rubro-Negro, que termina a competição com campanha de seis vitórias, quatro empates e apenas uma derrota, teve o artilheiro do torneio: Vitor Gabriel, com nove gols marcados.


Foto: Staff Images/Flamengo

O jogo

Os Garotos do Ninho entraram em campo sedentos pelo quinto título na temporada e quase abriram o placar em seu primeiro chute a gol, aos oito minutos. Pablo foi ao fundo e cruzou na área. Vitor Gabriel puxou a marcação e a bola encontrou Luiz Henrique livre de marcação na marca do pênalti. A finalização, porém, saiu alta e a bola passou por cima do gol de Heitor. O Fluminense respondeu em duas oportunidades aos 14 minutos. Primeiro, com Zé Ricardo, que chutou no ângulo, e na sequência em chute da entrada da área de Macula. Nas duas oportunidades, o goleiro de Seleção Brasileira Hugo Souza foi na bola e fez as defesas.

Depois disso, a partida ficou muito disputada, mas sem grandes chances de gol para nenhuma equipe, que jogavam debaixo de forte calor no Estádio da Gávea. Dessa forma, o zero prevaleceu no placar até a ida dos dois times para o vestiário.

Foto: Staff Images/Flamengo

No segundo tempo, o Flamengo quase abriu o marcador logo nos segundos iniciais em finalização de Bill, que passou próxima ao travessão tricolor. E assim como no primeiro tempo, o Fluminense respondeu logo na sequência, em chute forte de Leandro que passou à esquerda da baliza de Hugo Souza. Aos 24 minutos, Michael tabelou com Yuri e invadiu a área. Ele ganhou da marcação na velocidade e bateu cruzado para boa defesa de Heitor, que espalmou para escanteio. 

Foto: Staff Images/Flamengo

Assim como na primeira etapa, o jogo era muito brigado, porém não tinha muitas chances claras de gol. O Fluminense tentou impor certa pressão no final, mas o Flamengo mostrou muita segurança em seu sistema defensivo e, sem levar gol nos dois jogos da decisão, levantou mais um caneco do Torneio OPG.

Flamengo: Hugo Souza, Klebinho (Aderlan), Nathan, Patrick, Pablo; Henrique (Hugo Moura), Matheus Alves, Luiz Henrique; Bill (Yuri), Lucas Silva (Wendel) e Vitor Gabriel (Michael). Treinador: Mauricio Souza.

quarta-feira, 10 de outubro de 2018


A Copa Libertadores ajudou a moldar o futebol brasileiro nas últimas décadas. Concentrou vários significados ao longo de suas quase 60 edições. Tornou-se sinônimo de catimba, rivalidade, provocação, jogo duro. Também representa o o reinado em seu continente e o passaporte para conquistar o mundo. Virou uma obsessão cantada e incorporada pelas nossas torcidas. 
Para mostrar um pedaço do DNA desse torneio, personagens que participaram de cinco títulos históricos brasileiros recontam suas experiências nas partidas decisivas. Jogadores de Atlético-MG, Corinthians, Flamengo, Palmeiras e São Paulo relatam como viveram suas finais sul-americanas. 
A primeira de cinco reportagens dessa série especial tem ícones do título do Flamengo de 1981. Recupera detalhes do clima de guerra que cercou a final contra o Cobreloa (CHI), levada para um terceiro jogo, de desempate, em Montevidéu. O Flamengo venceu o primeiro, no Maracanã por 2 a 1, mas perdeu de 1 a 0 em Santiago. Brasileiros acusam, até hoje, o zagueiro Mario Soto de usar uma pedra para agredi-los durante este confronto. 
O sangue derramado no campo chileno virou combustível para a decisão. Dos mais inflamáveis. É o que eles dizem. 

TUDO COMEÇOU NO COTOVELO DE MOZER

"A confusão toda começou, na verdade, em uma jogada da segunda final em que o outro zagueiro do Cobreloa, em uma disputa no escanteio, cabeceia meu cotovelo e cai desmaiado. Aí o Mario Soto quis sair agredindo todo mundo. 
O Mario Soto realmente tinha uma pedra na mão. Só que, quando falávamos com o árbitro, ele deixava a pedra cair em alguma parte do campo. E ele sempre pegava a pedra de novo e fazia as mesmas coisas.
Naquele tempo era duro jogar a Libertadores. Não tinha muito controle antidoping e os jogadores sul-americanos normalmente abusavam um pouco da violência. Por vezes, até parecia que havia algum outro componente que os fazia perderem o controle, ficarem muito agressivos"

Antes da grande final

Durante a semana, eles falaram que iam fazer e acontecer, que brasileiro é medroso. Fui para o jogo disposto ao tudo ou nada. Se ficasse mais violento, eu iria dançar conforme a música. Eles poderiam até nos vencer jogando bola, mas não pela violência" 
Andrade
Andrade, expulso no terceiro e decisivo jogo, em Montevidéu (URU)
Por mais que eu estivesse focado, claro que entrei em campo puto da vida. Dizia para os colegas que ia revidar [a agressão de Soto]. Falamos algumas coisas um para o outro dentro de campo, mas à distância" 
Adílio
Adílio, um dos agredidos por Mario Soto na segunda final



































Zico paz e amor 

"Devido ao que aconteceu no Chile, alguns jogadores estavam nervosos antes da partida em Montevidéu. Tinha muita gente, principalmente dirigentes, falando um monte de besteira, em revide, não sei o que lá, em fazer isso, em fazer aquilo.
Por isso, falei para eles [companheiros de time] que, se quiséssemos ser campeões, não tínhamos que pensar em retaliação. Seríamos campeões jogando bola, nosso time era melhor. Se saíssemos daquilo que fazíamos sempre, nos igualaríamos a eles. 
Eu estava tranquilo. Focado no que tinha de fazer dentro de campo e pronto. Não tinha outra alternativa"

Torcida a favor

Depois da intimidação no Chile, campo neutro favoreceu o Flamengo "Correu essa história de que o time deles gostava de praticar o antijogo, enquanto nós éramos o time que todo mundo gostava de ver, do toque de bola, que jogava para frente. Por isso, quase todo mundo no estádio estava a nosso favor. Além disso, havia muitos flamenguistas na região" 
Adílio, lembrando do apoio no estádio Centenário, em Montevidéu.

Zico, autor do 1 a 0 aos 18min do primeiro tempo "Eles tiveram que ficar 'piano' porque, logo no primeiro tempo, um cara quis dar uma entrada e o juiz já botou ele para fora. Entenderam que ali o buraco era mais embaixo. O juiz não estava ali para brincar, e o Cobreloa precisou jogar bola mesmo"

Andrade, expulso após cometer falta dura "Eles já estavam com um a menos e perdendo de um a zero. Aí um jogador deles deu uma entrada no Júnior, eu acabei dando uma entrada mais dura nele e o juiz quis equilibrar o jogo me expulsando também. Nem amarelo eu tinha"

Mozer, sobre o 2 a 0 que fechou o placar da final "Quando saiu aquela falta [que originou o segundo gol], tínhamos quase certeza que ela entraria. Só por um milagre não aconteceria isso. Com o Zico, cobranças de falta eram, para nós, quase um pênalti. E sem goleiro"

Lico, agredido no primeiro jogo, ao Jornal dos Sports "Mostramos a eles que nem a violência, nem pedras escondidas, podem com o nosso futebol. Infelizmente não disputei o último jogo, mas tenho a satisfação de me sentir vingado com a lição de futebol que demos ao mundo".

Flamengo 2 x 0 Cobreloa

Flamengo: Raul; Nei Dias, Marinho, Mozer e Júnior; Leandro, Andrade e Zico; Tita, Nunes (Anselmo) e Adílio.
Cobreloa: Wirth; Tabilo, Páez (Múñoz), Soto e Escobar; Jiménez, Merello e Alarcón; Puebla, Siviero e W. Olivera Data: 23 de novembro de 1981 
Local: Estádio Centenário, em Montevidéu (URU) 
Público: 30.200 pagantes
Árbitro: Roque Cerullo (Uruguai)
Gols: Zico, aos 18min do primeiro tempo e aos 39min do segundo tempo Cartões amarelos: Júnior (Flamengo); Escobar (Cobreloa) Cartões vermelhos: Andrade e Anselmo (Flamengo); Jiménez, Mario Soto e Alarcón (Cobreloa).


quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Garotos do Mundo! Sub-17 conquista na China quinto título internacional da base rubro-negra em 2018

Mais Querido derrota Villarreal (ESP) na final da Evergrande Cup e fecha ano internacional da base com chave de ouro

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Made in Brazil, criados e formados no Ninho e campeões nos quatro cantos do mundo. Assim podem ser considerados os atletas que integram as categorias de base do futebol do Flamengo. Dallas, Dubai, Premier Cup, Dossena. Muitos poderiam imaginar que as quatro conquistas internacionais da temporada já estariam de bom tamanho, mas não era o que os Garotos do Ninho pensavam. Quem joga no Flamengo e veste o Manto Sagrado é insaciável na busca por títulos, e se acostuma desde cedo a sempre querer mais – e a ganhar, claro. 


Base vencedora. Garotos do Ninho conquistam 5º título internacional do ano na China

Na manhã desta terça-feira (28), a equipe Sub-17, comandada pelo treinador Phelipe Leal e que já havia conquistado a Dallas Cup, em março, nos Estados Unidos, bateu o Villarreal (ESP) por 5x4 nos pênaltis, após empate por 1x1 (Sidney) no tempo normal, e sagrou-se campeã também da Evergrande Cup U-17 International Football Championship, na China, encerrando com chave de ouro o ciclo de competições internacionais na temporada 2018 trazendo para a Gávea nada menos que o quinto título. Acha muito? Então segura mais essa: todos eles conquistados de maneira invicta. Além deles, vale lembrar, os Garotos do Ninho já garantiram esse ano, em solo brasileiro, a Copa São Paulo, o Campeonato Carioca Sub-20 e a Taça Os Donos da Bola Sub-14. E dezembro ainda está longe...

“O Flamengo sente muito orgulho por mais uma conquista internacional do seu futebol de base. O principal objetivo dessas viagens é proporcionar aos atletas e comissões técnicas vivências internacionais para que possam estar cada vez mais capazes de performar em alto nível. Temos tido sucesso e os frutos já são visíveis com atletas da base sendo projetados ao futebol profissional. É um diferencial do Flamengo na formação de seus atletas, já que proporciona aos jogadores enfrentar grandes equipes a nível mundial. Esse título é mérito de um planejamento iniciado pelo nosso Diretor de Futebol, Carlos Noval, e que hoje tenho a honra de liderar e dar continuidade", disse Eduardo Freeland, Gerente de Futebol de Base do Flamengo.
Freeland concluiu: “A conquista de tantos títulos é mérito do trabalho de todos os profissionais que fazem parte das categorias de base do futebol do Flamengo. É um processo extremamente vencedor, que tem início no dia a dia de trabalho, de cada sessão, cada treinamento no nosso CT, passando pela dedicação e o envolvimento de todos. Os títulos são, na verdade, a coroação do trabalho de muitas pessoas”, disse Eduardo Freeland, que em menos de quatro meses no cargo, já coleciona dez títulos.
“Me sinto extremamente honrado com a missão que me foi passada. Para mim, é um orgulho imenso ter a chance de representar o clube que tem a maior torcida do mundo, e quero agradecer e compartilhar essa alegria com todos os funcionários e torcedores do Flamengo”, finalizou o vencedor Diretor do Futebol de Base do Flamengo.

Assim como havia sido na estreia da competição, o duelo contra os espanhóis na final foi extremamente difícil e equilibrado. Logo aos seis minutos de jogo, o Villarreal abriu o placar após cobrança de escanteio. Com muita luta e dedicação, os Garotos do Ninho correram atrás e foram buscar o empate apenas aos 25 minutos da etapa final. Sidney fez bela jogada individual pela intermediária direita do ataque rubro-negro, cortou para o meio e bateu de chapa, bonito, na gaveta, levando a decisão para a disputa das penalidades.

Aí, brilhou mais uma vez a escola de goleiros do Flamengo, que tradicionalmente revela grandes jogadores para a posição ano após ano, e que segue a todo vapor, com ritmo cada vez mais acelerado de produção no que diz respeito à quantidade e, principalmente, à qualidade. Já na primeira cobrança espanhola, o paredão Pedro Victor acertou o canto e fez a defesa. E foi o suficiente, porque com muita frieza e tranquilidade, Lucas Gabriel, Yuri, Sidney, Rhyan e Gomes fizeram e garantiram – não perca a conta – o quinto título internacional do ano para o futebol de base rubro-negro.

“Ser campeão vestindo o Manto Sagrado e representando essa Nação é uma emoção enorme, pois trabalhamos dia após dia para alcançarmos os nossos objetivos. Superamos diversas dificuldades que só nós sabemos, enfrentamos e derrotamos um leão a cada dia, e tenho certeza que não há no mundo grupo de trabalho mais merecedor do que o nosso. Especificamente com relação aos pênaltis, trabalhamos diariamente essa situação com o Thiago Eler, nosso preparador. Me sentia totalmente preparado e, naquele momento, não passava outra coisa na cabeça a não ser fazer a defesa. Graças a Deus deu certo, e é um momento que ficará marcado para sempre na minha vida. Nossa geração ainda vai dar muitas alegrias para a Nação Rubro-Negra. É para isso que trabalhamos!”, disse o goleiro Pedro Victor.

“O momento do gol foi de muita tensão para a nossa equipe, já que estávamos perdendo o jogo e víamos o tempo passar sem que conseguíssemos empatar. Graças a Deus pude ajudar a equipe com um belo gol, que levou a decisão para os pênaltis. Ali, eu tinha certeza que o título seria nosso, pois sei que o Pedro Victor pegaria pelo menos um e que, pela nossa qualidade, dificilmente perderíamos algum. Felizmente, foi o que aconteceu. Por todas as dificuldades que passamos no dia a dia, a nossa geração merece o mundo. Agradeço à minha família e ao Flamengo, por tudo o que tem acontecido na minha vida”, disse Sidney, que foi eleito o MVP da final.

segunda-feira, 18 de junho de 2018

Garotos do Ninho celebram a conquista do título internacional na Itália

Sub-20 acumula quatro troféus só no primeiro semestre

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Sub-20 conquistou o quarto título internacional da base rubro-negra em 2018.
Sub-20 conquistou o quarto título internacional da base rubro-negra em 2018.


Em ano de Copa, quem está conquistando o mundo são os Garotos do Ninho. Após levantar taça em Dallas, Áustria e Dubai, neste final de semana a base rubro-negra conquistou mais um título internacional, desta vez na Itália, com o time sub-20.

No início de 2018, a primeira taça veio com a conquista da Copinha em cima do São Paulo. Em seguida, bateram o Botafogo e se sagraram campeões da Taça Guanabara. Há menos de um mês foi a vez da garotada dar a volta olímpica no Maracanã, após vencerem o Vasco na final do Estadual. E agora, para coroar esse primeiro semestre avassalador, o sub-20 conquistou o 42º Trofeo Dossena ao bater o Atalanta (ITA). O treinador Márcio Torres destacou a importância do título internacional em um primeiro semestre recheado de conquistas do sub-20.

“Mais um título para a Nação Rubro-Negra, agora internacional. Nosso sub-20 ganhou esse ano a Copa São Paulo, o Campeonato Carioca contra o Vasco, e faltava um título internacional. Conquistamos um título de grande expressão em um país onde o futebol é muito forte. Os meninos estão de parabéns por terem conseguido se superar a cada dia. Eles foram crescendo na competição e saíram coroados com o título.”

Autor de dois gols na final (quatro na competição), Vitor Gabriel recebeu o prêmio de MVP da final.
Autor de dois gols na final (quatro na competição), Vitor Gabriel recebeu o prêmio de MVP da final.

Com duas partidas disputadas pelo profissional em 2018, o jovem atacante Vitor Gabriel vem mostrando todo o seu valor na base do Fla. Com dois gols e uma assistência na final diante do Atalanta, ele foi eleito o melhor jogador da partida.

“Fico muito feliz pelo título, a equipe merecia isso. Graças a Deus conseguimos nosso objetivo. Também fico muito feliz por ter sido eleito o melhor jogador da partida. Pude ajudar com dois gols e uma assistência.”

Além de ter o melhor jogador da final, o Mais Querido saiu da Itália com dois títulos individuais. O melhor jogador da competição foi para o atacante Wendel, autor de um dos gols contra o Atalanta, e o melhor goleiro do torneio ficou com Hugo Souza, que celebrou as conquistas pelo Mengão.

“Feliz pelo título e feliz pelo título individual também, mas sem meus companheiros nada disso teria acontecido. Quero agradecer aos meus treinadores, o Marcinho, a comissão técnica, o Tiago treinador de goleiros, todos eles fazem parte disso. Agora é comemorar esse título que foi conquistado com muita luta e muita garra.”

A campanha invicta:

O Flamengo estreou no Trofeo Dossena na última segunda-feira (11) com vitória por 2 a 0 sobre a seleção de Cremona. Os gols foram marcados por Vitor Gabriel e Marx Lenin.

Nos três jogos seguintes, três empates. Dois deles em 1 a 1 contra Genoa e Cremonese. Gols de Yuri e Wendel respectivamente. O terceiro empate veio na semifinal com classificação garantida nas penalidades. No tempo normal, 2 a 2 contra o Chievo Verona, gols de Bill e Vitor Gabriel.

Ao chegar à final, uma vitória incontestável sobre o Atalanta por 3 a 1. Vitor Gabriel (2) e Wendel fizeram o placar que deu mais um título internacional à base rubro-negra este ano.