sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Carlinhos: 'Foi bom terem renovado com Andrade, pois ele conhece bem o clube'


Rodrigo Benchimol/GLOBOESPORTE.COM
Carlinhos espera os amigos do carteado chegarem à Gávea

Ex-treinador diz que o Flamengo mereceu ser campeão brasileiro e que fez bem ao manter seu ex-jogador no comando do time

Rodrigo Benchimol Rio de Janeiro

Durante boa parte dos dias úteis, Carlinhos vai à Gávea jogar o seu carteado. Esse é o principal passatempo do ex-jogador e treinador do Flamengo. Mas ele ainda tem acompanhado o futebol, mesmo que de longe. Tanto que admitiu, nesta quinta-feira, ter comemorado o Campeonato Brasileiro de 2009.

- Foi um título merecido e muito bonito de se ver. O Flamengo foi premiado pela sua competência. Não dá para dizer que essa conquista não foi justa. O Flamengo fez por merecer – disse Carlinhos, que foi treinador de Andrade na década de 80.

Por isso, ele vibrou também com a primeira conquista do seu ex-comandado como técnico. E aprovou a sua permanência na Gávea para 2010.

- Andrade mereceu ser campeão, pois fez um bom trabalho como técnico. E foi bom terem renovado porque ele já conhece o clube, sabe como as coisas no Flamengo funcionam... Houve uma combinação boa. Foi ótimo para o Flamengo e para todo mundo – disse Carlinhos.

Sem querer comentar que tipo de contratação precisa ser feita, o Violino está confiante para um 2010 de sucesso. Ele acredita que o Flamengo tem tudo para ser tão vitorioso quanto em 2009.

- Tenho fé que, com esse time, o Flamengo ganhará a Libertadores e o tetra do Estadual, que jamais conseguiu. Acredito que dá para conquistar tudo. Vou estar aqui acompanhando e torcendo – disse.

Como jogador, Carlinhos fez 517 partidas com a camisa do Flamengo, tendo marcado 23 gols e conquistado o Rio-São Paulo de 1961 e os Cariocas de 1963 e 1965. Como treinador, conquistou os Brasileiros de 1987 e 1992, a Mercosul de 1999 e os Cariocas de 1991, 1999 e 2000.

Atualmente, ele curte os seus 72 anos jogando baralho todas as terças, quartas e quintas, na Gávea. E conversando com a lucidez de sempre.

- Venho sempre jogar meu pif paf, que é uma espécie de buraco. Mas não aposto nada. O conceito é a distração – disse Carlinhos.

Fonte: http://globoesporte.globo.com/Esportes/Noticias/Times/Flamengo/0,,MUL1419141-9865,00-CARLINHOS+FOI+BOM+TEREM+RENOVADO+COM+ANDRADE+POIS+ELE+CONHECE+BEM+O+CLUBE.html

Especial 3 - Flamengo Campeão Brasileiro de 2009


A união do grupo foi um dos principais fatores para a conquista do título rubro-negro

Primeiro campeão

Por Daniele Santos

Rio - O ano de 2009 entrou para a história do Flamengo. História da hegemonia, dos recordes, da emoção, da arrancada, do Estadual, do Brasileiro, dos flamenguistas. Assim como é o único campeão mundial carioca, com o título conquistado em 1981, agora o Flamengo se tornou o único campeão brasileiro carioca depois que a regra do campeonato mudou, em 2003, para os pontos corridos.

Com isso, a rivalidade entre o Flamengo e os demais times cariocas, que já era grande, promete aumentar. Atualmente, no Rio, o Flamengo tem a hegemonia em vitórias. Só no Campeonato Brasileiro, o Mais Querido é o único hexacampeão, campeão brasileiro carioca nos pontos corridos, o primeiro clube a atingir a marca de mil jogos na Primeira Divisão e o clube carioca que não sabe o que é jogar pela Série B.

Não bastasse ser o time Mais Querido do Brasil, é o que tem o maior recorde de público no Maracanã, a maior torcida do mundo e o time que tem o maior mosaico.

Como se não bastasse tudo isso, o Mengão acabou com a dinastia paulista no Brasileirão de pontos corridos. Depois do título do Cruzeiro (MG) em 2003, só deu estado de São Paulo. Mas o Rubro-negro mostrou mais uma vez sua força e mudou a história. Além disso, o hexa veio provar aos críticos que o Flamengo é um time que encara e vence todos os desafios. Se os outros cinco títulos vieram no sistema de mata-mata, com o time atropelando nas finais, o hexa mostra que o Maior do Mundo é um time que cresce nos momentos decisivos, mas também é o que mais pontos soma entre todos.

Fonte: http://odia.terra.com.br/portal/ataque/flamengo_campeao_brasileiro_2009/primeiro.html

Especial O DIA

Link: http://odia.terra.com.br/portal/ataque/flamengo_campeao_brasileiro_2009/

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Campeão mundial pelo Fla, Lico vibra com o sucesso de Andrade



Arquivo/O Globo
Lico no time do Flamengo campeão da Taça Libertadores da América de 1981

Segundo o ex-ponta-esquerda e, hoje, professor de escolinha de futebol , 'o Tromba botou muito treinador no bolso neste Campeonato Brasileiro'

Guilherme Maniaudet
Rio de Janeiro

Antônio Nunes, mais conhecido como Lico, foi bicampeão brasileiro, da Libertadores e do Mundial pelo Flamengo. O ex-ponta-esquerda do Rubro-Negro fez parte, segundo o próprio, do maior time da história do futebol. Morando em sua cidade natal, Imbituba, em Santa Catarina, Lico vibrou com o hexacampeonato do clube carioca e, principalmente, com o sucesso do ex-companheiro e amigo Andrade.

- Minha torcida maior foi pelo Andrade, que é uma grande pessoa, um companheiro sério e honesto. Ele recuperou o time e, principalmente, jogadores que estavam em um momento difícil, como o Zé Roberto e o Aírton, que mais fazia falta do que jogava. O Andrade deu ao Flamengo um estilo de jogar futebol, mexeu com o coração dos jogadores, que o respeitam. Ele conseguiu um título que ninguém esperava. Mostrou que não é preciso usar terno e gravata e nem gritar feito um maluco na beira do campo. E que, às vezes, uma conversa ao pé do ouvido é bem mais interessante. O "Tromba" botou muito treinador no bolso neste Campeonato Brasileiro.

Lico confessa que a vida de torcedor é bem mais fácil do que a de jogador - o sofrimento maior é para aqueles que estão em campo.

- Não sofri com o jogo do Flamengo. Não tenho mais o que sofrer no futebol, não é mais aquela coisa doentia da época de jogador. O jogador sofre mais por estar representando uma paixão. Como torcedor eu sou tranquilo, e as minhas filhas sofrem mais do que eu. Eu costumo olhar o jogo friamente, ver quem realmente merece ganhar.

E com esse “olhar frio”, deixando de lado o torcedor, o ex-jogador afirma com a certeza de quem já viveu o futebol que o Flamengo mereceu ser campeão e que não tinha como o troféu ir para um lugar diferente da Gávea.

- Deu pra ver que os jogadores do Flamengo estavam ansiosos, mas dava pra perceber que a reação era questão de tempo. O time fez por merecer, e a torcida fez como sempre: empurrou. O Grêmio não tinha nada a perder e por isso estava mais leve. O Flamengo começou marcando muito atrás, mas rapidamente tomou conta de todo o campo.


Elogios para os jogadores rubro-negros também não faltaram.



- O Angelim mereceu fazer o gol do título. Ele é um zagueiro que sempre mantém o nível. Não vejo no Brasil nenhum melhor do que ele. O Willians também é um ótimo jogador, apoia e defende como poucos. E o Adriano e o Petkovic fizeram a diferença e desequilibraram.

Lico mora com a esposa Simone, com quem é casado há 31 anos e tem três filhas: Mônica, Mariana e Marina. O ex-jogador tem uma associação de amigos na cidade, onde é professor voluntário de futebol para garotos de 9 a 14 anos, na Associação Paes Leme de Futebol. Duas vezes por semana, vai a Florianópolis coordenar e orientar meninos em um campo de grama sintética, no Lico Esporte Center.

Com a experiência que tem, desde que passou a atuar em divisões de base em Santa Catarina, o ex-ponta espera um dia poder voltar a trabalhar no Flamengo.

- Eu tenho o sonho de trabalhar nas categorias de base do clube. Contribuir com a minha experiência. Apesar de ver esse sonho um pouco distante, tenho a esperança de que algum dia lembrem da minha pessoa.

Momentos inesquecíveis no Flamengo

Antes de se transferir para o Rubro-Negro, Lico passou pelo Grêmio e o futebol catarinense, onde conquistou três títulos estaduais. No Flamengo, as conquistas foram os Campeonatos Brasileiros de 1982 e 1983 e a Libertadores e o Mundial em 1981 - além do Carioca, no mesmo ano.

- Foi um sonho. Foram tantas conquistas, e me deram a oportunidade de ir pra lá, apesar de eu já ter uma certa experiência. O nosso grupo era uma grande família, formada por craques. Desde o Raul até o Zico. Sem desmerecer o Santos de Pelé, mas aquele foi o maior time que eu já vi na história do futebol, marcou a trajetória mundial do esporte. Todos respeitavam a torcida e a camisa: não tinha corpo mole e nem briga. Contato a gente não tem muito, principalmente por causa da distância. Mas tenho um carinho e respeito enorme e eterno por todos. Sempre que eu posso, os vejo.

Outro momento histórico na Gávea em 81 foi no dia 8 de novembro, quando o Flamengo devolveu o placar marcante de 6 a 0 pra cima do Botafogo. Lico marcou o terceiro gol da vitória (veja o vídeo).

- Este foi um jogo especial. Era um placar que estava entalado na garganta dos torcedores. Mas eu só fiquei sabendo da história no intervalo da partida, e que a torcida estava pedindo. Tinha que ser aquele dia, pois o Botafogo estava morto.

Em 1984, veio o pior e último momento da carreira do ponta. Devido a uma série de cirurgias no joelho, o jogador se viu obrigado a encerrar a carreira para não ter problemas mais graves no futuro.

- Parar por causa de lesão foi um baque violento, pois eu estava em um momento espetacular. Depois de fazer duas cirurgias e na terceira o médico falar que eu tinha que parar... Demorei a aceitar, só o tempo cicatriza essa ferida. E eu sei que poderia ter ido mais além, foi uma dor muito grande. Mas prefiro não lembrar muito desse fim. Hoje eu sou um homem feliz, e tenho uma família maravilhosa.

Lico mostra confiança nos próximos anos do Flamengo. O ex-atleta gostou da eleição da presidente Patrícia Amorim, e acredita que o time de futebol vai continuar na rota dos títulos se mantiver o atual elenco.

- A Patrícia Amorim mostrou que tem planejamento e é uma pessoa inteligente, com capacidade de administrar além da paixão. Vai acabar com certos preconceitos com a figura da mulher. Senti nela capacidade e organização. E não tem time melhor que o Flamengo no Brasil. Se mantiver a base, vai buscar ainda mais títulos no ano que vem.

Você Entrevista: Nunes parte II

"Meu gol mais bonito foi contra o Atlético-MG". Leia a parte final da entrevista, com as respostas do 'Artilheiro das Decisões' às perguntas dos internautas
Da equipe do site oficial do Flamengo

Aqui está a segunda e última parte das respostas de Nunes às perguntas selecionadas nesta novidade da agência Fla, o "Você Entrevista". As questões foram enviadas por e-mail para o site oficial e passaram por uma seleção - dado o volume de mensagens.

Gustavo Arruda, bancário, 31 anos, Blumenau (SC) - Nunes, poucos jogadores no Flamengo tiveram sucesso com a camisa 9 ao longo da história. Dizem até que ela é azarada. O que você acha que precisa para ser um bom camisa 9?
Nunes: Bom, o Gustavo tem razão naquilo que ele está colocando. Não é qualquer jogador que veste a camisa do Flamengo, certo. E eu vim da base do Flamengo. Desde pequeno que eu joguei junto com o Zico. Então, a gente já se conhece não por acaso, já de muitos anos. E mesmo nos juniores, a gente jogou junto e fez uma dupla perfeita. E isso nós levamos até o profissional. Eu tive que sair, estourei a idade, aí fui aparecer como profissional já no Nordeste e, depois, eu voltei para a Gávea. O Zico estava me esperando. Então, chegou o centroavante certo para jogar ao lado dele. Por isso que tudo deu certo.

Myllio Castelo Branco, 35 anos, economista, Belém (PA) - Nunes, você acha que no futebol de hoje ainda existe jogador que nem você, que tem amor pelo clube e fica eternizado?
Nunes: Com certeza. É só questão do jogador ter essa consciência. A prova taí. O Adriano começou, foi embora, não aguentou - essa que é a realidade. Não aguentou ficar por lá e voltou para o Rio e está aí no time que ele ama, e a gente tem o maior carinho por ele. O Clube tem que fortalecer as suas bases para poder resgatar esse amor pelo jogador pelo clube. Porque só dessa maneira você consegue. O Flamengo sempre teve uma boa base, sempre teve uma sintonia muito grande, da base com o profissional, e o Flamengo
não poder perder isso.

Marcos Aurelio Brito Santo, 44 anos, segurança, Rio de Janeiro (RJ) - É verdade que alguns dos gols mais importantes você fez de canela?
Nunes: Se ele for flamenguista, ele sabe que não foi dessa maneira. Foi bem feito, com a perna direita, com a perna esquerda, de cabeça e bem consciente.

Hildebrando Costa, de Contagem (MG) e Ricardo Araujo, 30 anos, advogado, Timbó (SC) - O que você acha de jogadores de um clube receberem "mala branca" - receber dinheiro para se esforçar mais, vencer uma partida em benefício de um outro clube?
Nunes: Eu acho que o jogador que chega a esse ponto, eu não considero um profissional. O jogador de futebol tem que ter caráter, saber ser profissional e procurar não deixar que pequenas coisas atinjam ou manchem a profissão do jogador.

Carlos Victor L. Nogueira, 47 anos, despachante aduaneiro, Manaus (AM) - Explica como foi sua passagem pela base do FLA, como foi que saiu, não foi aprovado, faça um histórico, até voltar para o nosso Mengo?
Nunes: Eu cheguei ao Flamengo com 14 anos de idade. Fiz toda a base do Flamengo até completar 19 anos. Cheguei ao Exército, aí estourei a idade no Flamengo. E o Flamengo não me aproveitou na época porque tinha o Doval, o Caio Cambalhota, Dionísio, Silva. Tinha vários centroavantes e eu era mais um que tinha estourado a idade nos juniores e havia quatro ou cinco na posição. O Flamengo, realmente, não é que não tenha acreditado. O Flamengo falou: "Vai fazer o quê? Vai ser mais um que vai ficar? Então, vamos dispensar". E mandou embora. E o ex-massagista do Flamengo, Mineiro, me disse: "Olha, o Confiança do Aracaju tem um treinador que se chama Dequinha. Dequinha simplesmente jogou no Flamengo. E pediu um centroavante. Você quer ir pra lá?". Eu disse: "Vou!". E ele disse: "Vou escrever uma carta com o seguinte: 'Dequinha, encontrei o centroavante que você queria'". E me entregou a carta e eu fui. E fui lá para o Confiança e graças a Deus dei sequência ao que tinha aprendido na base do Flamengo e a lição de vida e a base que eu tive dentro do Exército, de disciplina, fez com eu desse aquela arrancada, com profissionalismo e segurança. E eu disse: "Eu vou vencer porque quero ser jogador de futebol". Estourei no futebol brasileiro. Um ano depois já havia vários clubes querendo me contratar - o Flamengo, o Vasco, o Corinthians, o São Paulo, o Fluminense, Bahia. E eu jogando no Santa Cruz. Aí, o Fluminense foi lá e me comprou. Depois eu fui para o México. Aí, o Flamengo foi me buscar no México. O Flamengo foi me buscar na hora certa e eu cheguei na hora certa para conseguir todos esses objetivos e, graças a Deus, eu sou uma pessoa feliz. Alguns dos maiores gols da história do Flamengo, em decisão, eu que fiz. Tenho orgulho de estar na história do Flamengo, saber que sou uma pessoa reconhecida não só no futebol brasileiro, mas na Nação Rubro-Negra - sou um ídolo. E meu nome está inscrito na história do Flamengo. Enquanto existir o Flamengo, eu nunca vou me separar.

Diogo Rozendo da Silva, 27 anos, extrusor, Jequié (BA) - Se você estivesse jogando hoje, qual seria seu parceiro ideal no ataque?
Nunes: Zico (risos).

Geraldinho Sátyro, 60 anos, motorista, São Mateus (ES) - Você sente saudade daquele calor da galera e de jogar?
Nunes: Eu sou artilheiro do master (risos). Continuo artilheiro, mesmo com 50 e poucos anos, fazendo a festa da galera. Na hora que chegamos nas cidades, para se ter uma ideia, chega a ter 10, 20 mil torcedores no estádio. Para se ver o carinho, o respeito e a importância que nós temos para a torcida do Flamengo. Isso aí não tem coisa melhor que o carinho. Ver essa nação perto da gente. Todo mundo sente falta - tanto a torcida como a gente.

Renato Vasconcelos Ribeiro, 32 anos, cirurgião dentista, Vila Velha (ES) - Qual foi o gol mais bonito pelo Flamengo?
Nunes: Todos foram bonitos. Tanto eu como a torcida do Flamengo temos aquele contra o Atlético-MG, porque ali começou a arrancada para todos os objetivos que nós conseguimos.

Davis Sena Filho, 50 anos, jornalista, Rio de Janeiro (RJ) - Quais foram os maiores zagueiros que você enfrentou? Os mais técnicos e os que mais batiam?
Nunes: Eu comecei numa época que só tinha zagueiro que metia a porrada, mesmo (risos). Moisés, Renê, Abel, Assis, Silveira, Roberto Rebouças do Bahia, Anchieta, Figueroa... Rapaz, só nego que metia a madeira, mesmo. Mas comigo não tinha essa, não. Se eles mexessem comigo, eu metia madeira neles também. Claro que sempre fui um jogador que tinha um vigor físico muito forte porque eu me preparava e muito. E zagueiro para me achar era difícil porque eu não dava sossego, eu não parava dentro de campo, eu não aceitava marcação, eu me movimentava muito. Por isso que eles tinham muita dificuldade de me marcar porque a minha movimentação era meu ponto forte. Eu gostei muito do Figueroa; Anchieta tinha uma elegância; Luisinho, do Atlético-MG; o Amaral, do Guarani. Esses foram excelentes jogadores.

Rafael Cotta, 26 anos, assistente de marketing, Rio de Janeiro (RJ) - Aquela foto famosa em que aparecem você e o goleiro Emerson Leão, quando este jogava pelo Grêmio. Você aparece apontando o dedo para ele. O que houve ali naquela cena? O que ele falou para você?
Nunes: O lance que aconteceu com o Leão, naquela decisão Flamengo e Grêmio, foi algo que aconteceu de repente. Não pode existir covardia. E o Leão fez uma covardia comigo. Teve um lance, não sei se foi o Zico ou o Andrade que lançou a bola para mim, que eu corri, só que a bola foi mais para o Leão do que para mim. Eu evitei me chocar com ele. Ele simplesmente dominou a bola e me esperou com o cotovelo. Bateu na minha boca e cortou. Aí, falei para ele: "Pô, Leão, precisava fazer isso? ". E ele: "Ah, você que começou a fazer gracinha". Aí eu disse: "Ó, da próxima vez que você soltar a bola, eu vou chutar a sua cara". Eu achei uma covardia da parte dele, não tinha necessidade. E ele tentou jogar a torcida do Grêmio contra mim, dizendo que eu tinha chamado a torcida do Grêmio de canalha. Jamais que eu ia fazer uma coisa dessas. Tentou criar um clima ruim e isso me deixou chateado. Nós não conseguimos dormir lá [em Porto Alegre] no segundo jogo, que empatamos de 0 a 0, numa quarta para quinta-feira porque a torcida estava soltando fogos, chateada porque pensando que eu tinha falado isso. E na noite seguinte fomos para Gramado, subimos a Serra, por causa dessa situação. Mas simplesmente ele tentou, mas não conseguiu [me abalar]. No domingo, nós retornamos para jogar a decisão no Olímpico e foi pior ainda. Todo mundo que descia era aplaudido. Quando eu desci, a torcida começou a me xingar e eu comecei a dançar. Aí eu disse: "Agora vou encarar". E eu não sabia que o Zico tinha falado para a TV que o placar seria 1 a 0, gol do Nunes. E foi o que aconteceu: 1 a 0, gol do Nunes. Eu não sabia que Zico era vidente (risos).

Elias da Silva Santos, 48 anos, funcionário público, Tucano (BA) - Nunes, na final do Mundial de clubes contra Liverpool, você e o Zico, ganharam um automóvel de da Toyota de presente. Zico dividiu o prêmio com os companheiros. É verdade que você não fez o mesmo?
Nunes: Quem ganhou o carro foi o Zico como melhor em campo. E o segundo carro, eu, como artilheiro e destaque em campo. Um carro era do Zico e outro do Nunes. Cada um recebeu sua participação. Todo mundo botou seu dinheiro no bolso e ficou feliz.

Fonte: http://flamengo.com.br/site/noticias/noticia.php?id=7158

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Sábia homenagem ao Flamengo

Sun Tzu rubro negro

Machado de Assis, pela boca do seu Quincas Borba, tentando explicar a sua teoria do humanitismo, disse: “Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas!”. Pois bem! Aceito as batatas, desde que os vencidos aceitem a minha compaixão e recebam um lenço e o livro de Sun Tzu, “A arte da guerra”.

Dou um lenço, para enxugar as lágrimas, já que o choro é mesmo válido para os derrotados; dou um livro, para que os adversários aprendam sobre a guerra e a sua arte e se tornem melhores guerreiros, pois essa história do FLAMENGO viver ganhando, está nos deixando entediado.

Nunca um título teve tanto a cara do FLAMENGO, como esse brasileirão de 2009. Saindo do fundo do poço, vários pontos atrás dos líderes, o rubro negro da Gávea usou como ninguém a sabedoria do chinês fantástico, que 500 anos antes de Cristo, escreveu o seu sensacional livro.

E ensinava Sun Tzu: “Lutar e vencer todas as batalhas não é a glória suprema: a glória suprema consiste em quebrar a resistência do inimigo sem lutar... O guerreiro vence os combates não cometendo erros. Não cometer erros é o que dá a certeza da vitória, pois significa conquistar um inimigo já derrotado”.

Os nossos adversários abusaram do direito de errar: O Palmeiras passou quase vinte rodadas sendo líder, menosprezou a todos, assumiu sua condição de campeão por antecipação e viu-se o título lhe escapar, e quando seu exército quis reagir já era tarde. Aliás, o exército palmeirense se esqueceu de ler a página 56 do livro de Sun Tzu: “Quem não for precavido e fizer pouco dos seus adversários, certamente será capturado por eles”.

Final melancólico do alviverde paulista: terminou fora até da libertadores; O São Paulo - cheio de empáfia, o que já é natural e por isso Nelson Rodrigues dizia que não havia solidão maior do que a companhia de um paulista – quando assumiu a liderança talvez precisasse das sábias palavras da página 64 da Arte da guerra: “Clamor noturno indica nervosismo. O medo torna os homens inquietos, levando-os a gritar de noite... Se há confusão no acampamento, o general tem pouca autoridade...”.

A troca de socos entre os jogadores paulista (André Dias e Hugo), no jogo contra o time do Vitória, mostrou a desunião do grupo e não há vitória em exército desunido. Já o nosso rubro negro, leitor assíduo de Sun Tzu, sabia que a página 86 era uma das mais importantes: “O general habilidoso conduz seu exército como se estivesse levando um único homem. Compete a um general ser calado e, assim, assegurar o sigilo; honesto e justo, mantendo dessa forma a ordem. Deve ser capaz de confundir seus oficiais e soldados com relatórios e aparências falsas, mantendo-os em total ignorância”.

Então, o técnico Andrade agiu exatamente assim: se fazendo de morto... O tempo todo dizendo que o único objetivo do FLAMENGO era “apenas” conquistar uma vaga no G4, para disputar a libertadores. E na verdade, a vaga que o time da Gávea queria era a primeira. Era o título.

Por isso, ao assumir a liderança, na penúltima rodada do campeonato, fez valer os ensinamentos da página 81 de Sun Tzu: “Para o soldado, dominar a rapidez é de suprema importância e ele jamais deve perder oportunidades”.

E o FLAMENGO não desperdiça as oportunidades, afinal está lá no seu hino: “Vencer, vencer, vencer... (seis) vezes FLAMENGO, FLAMENGO até morrer...”.

Francisco Edilson Leite Pinto Junior é professor, médico e escritor

Extraído do Blog: http://www.blogdocarlossantos.com.br/

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Nação rubro-negra também grita hexa em russo e ucraniano



Fabricio Yuri
Rio de Janeiro

Se dentro de um país existem vários sotaques, dentro da nação rubro-negra existem várias línguas. No rol de idiomas da 'Nação', também há espaço para o russo e o ucraniano. Pavel Sentiakov, um especialista em segurança de 43 anos que mora em Kamensk, no interior da Rússia; e Dimitri Titor, de 30, procurador-geral em Kiev, capital da Ucrânia, provam que a distância não é nada para uma paixão. Mostram, com orgulho, seu amor para o Flamengo ao mundo todo. Juntos, eles criaram o site 'Flamengo-rus' (http://www.flamengo-rus.ru/) e não deixam nenhum geraldino para trás no que diz respeito ao carinho pelo seu time. "Torço para um dos maiores times do mundo", diz Titor, enquanto Sentiakov vai mais além: "Quero o Carioca, o Brasileirão e a Libertadores".

E se você acha que ambos começaram a torcer pelo mais querido do Brasil por conta do hexacampeonato, está enganado. A história do ucraniano Titor começa lá no início dos anos 90, quando assistiu a um especial sobre Zico, que contava desde suas glórias no clube carioca até sua contribuição para o desenvolvimento do futebol no Japão. Mas, com toda a dificuldade de obter informações naquela época, só com a popularização das TVs por cabo e satélite, no final dos anos 90, que Titor começou mesmo a acompanhar os jogos de seu time.

- Desde 1993 eu sou Flamengo. E depois, quando pude começar a assistir aos jogos, a ver a torcida lotando o Maracanã, eu realmente percebi que não poderia torcer para nenhum outro clube. Desde então meu coração é rubro-negro e assim será para sempre - diz, orgulhoso, ao GLOBOESPORTE.COM.

Por sua vez, Sentiakov era, como muitos outros pelo mundo, um fã do Santos de Pelé. Sua paixão começou ainda na escola, quando leu seu primeiro livro sobre futebol brasileiro: "Pelé, Garrincha, Futebol...". Mas toda essa fascinação pelo clube paulista acabou caindo por terra. O russo fora arrebatado pelo mesmo Flamengo de Zico, ainda na mesma época de Titor.

- Eu sempre tive uma queda pelo Flamengo. Nele jogaram lendários como Zico, Leonardo, Júnior. Não teve jeito: acabei me tornando um autêntico carioca flamenguista - , derrete-se o russo.

Embora compartilhando da mesma paixão, ambos só foram se conhecer pela internet, em 2005, quando Pavel Sentiakov colocou no ar o site Torcida.com.ru (http://www.torcida.com.ru/), que fala somente sobre futebol brasileiro. Tudo em russo, lógico. Com o nick "Carioca", Dimitri Titor se tornou um dos frequentadores mais assíduos da página e surpreendeu Sentiakov com seu conhecimento sobre nossos campeonatos e jogadores. Em 2009, enfim, entra no ar o Flamengo-rus - com todas as notícias, história, elenco, fotos e tudo que você pode imaginar sobre o Fla.

- Imagina só: no ano que colocamos o site no ar, o nosso time se torna campeão brasileiro, após 17 anos... Isso é fantástico!" - orgulha-se Sentiakov, que acredita ter dado uma mãozinha de sorte para o título rubro-negro.

Mas aí você pensa logo que os dois não são torcedores mesmo, daqueles que sofrem com o time. E se engana feio. Ambos fazem questão de mostrar ao mundo inteiro a alegria de ser rubro-negro: assistem a todos os jogos do Flamengo - seja pela TV ou pela internet - usando o manto sagrado, torcendo, gritando e sofrendo com o time. E, eventualmente, dando aquela xingadinha também. Depois da partida, todo mundo para a internet, saber das notícias, ver os detalhes - tudo com ajuda de programas tradutores - para depois escrever em seus sites.

- Graças ao torcida.com.ru e ao flamengo-rus.ru, os russos e ucranianos vão sabendo cada dia mais sobre o futebol do Brasil. Nós somos o primeiro site em russo sobre os campeonatos estaduais e nacionais do Brasil. E, depois que as TVs começaram a passar os jogos daí, o interessse cresce cada dia mais - explica o rubro-negro Titor.

Dimitri e Pavel, no entanto, não são dois solitários: em seus sites, centenas de 'bolel'shiki' - torcedores, em russo - aparecem para comentar e, lógico, torcer. Tudo no mais claro russo. Ainda são poucos, se comparado com a atração que o bilionário futebol do Velho Continente exerce sobre o Leste Europeu, mas já é um número significante. Sentiakov - que torce abertamente pela seleção brasileira e é acusado pelos amigos de não ser patriota - nem assiste ao futebol de seu país:
- É, não acompanho mesmo. Gosto de ver futebol, torço pelo futebol bonito. Por isso acompanho o futebol brasileiro.

Nomes como Sócrates, Zico, Júnior, Andrade, Renato Augusto, Ibson, Romário e tantos outros são frequentes nas histórias que Dimitri e Pavel contam em seus países.

- Não faz muito tempo, fiquei muito feliz quando uma lenda do jornalismo esportivo soviético, autor de alguns livros sobre o futebol brasileiro, Igor Fesunenko, me escreveu. Ele viveu muitos anos na América do Sul e conheceu Pelé, João Saldanha e tantos outros. E agora é meu amigo e colaborador do site torcida.com.ru. Trocamos muitas histórias interessantes. Aprendemos a conhecer e amar o futebol brasileiro. Nós somos os melhores do mundo - brinca Pavel, sendo que o "nós" aí quer dizer futebol brasileiro, onde ele, naturalmente, se inclui.

- Certa vez, os colegas de trabalho me convidaram para jogar futebol com eles. Então, botei a camisa do Flamengo e, ao entrar em campo, todos me perguntaram "que time é esse?". Aí eu expliquei "É o Flamengo, onde jogaram ídolos como Romário e Bebeto. E essa é a 10 com a qual jogou Zico, que era como um Pelé branco". Aí então os colegas brincaram comigo: "Então, Zico, mostra aí do que você é capaz". Eu fiz um golaço e dei o passe para outro. Depois do jogo, um senhor veio e disse: "Parabéns, Zico. Golaço". Essa camisa joga sozinha!

Ah, e eles não podiam deixar de comemorar o hexa rubro-negro. E mandar seus recados para seus compatriotas, que, segundo os próprios, deveriam abandonar seus passaportes e trocar por um "rubro-negro".

- Gostaria de parabenizar toda a nação rubro-negra pela vitória, pelo hexacampeonato. E não devemos parar por aí. Vamos continuar nossa sequência de vitórias na Taça Libertadores. Espero, num futuro próximo, visitar o Rio, meu amado Flamengo, e torcer junto com vocês no Maracanã - diz o animado Titor, que não deixa fora de seu vocabulário palavras como "rubro-negro", "Mengo" e "Nação", escritas assim mesmo, em português.

E seu parceiro de ataque, Sentiakov, chama para si a responsabilidade de fechar com chave de ouro:

- Falo em nome de todos os torcedores russos: parabenizo os treinadores, jogadores e diretoria do nosso Flamengo, pela conquista desses tão esperado título. Que ninguém se machuque e, desta forma, consiga trazer novas vitórias a essa torcida maravilhosa. Mesmo a milhares de quilômetros, vou torcer cada dia mais pelo Flamengo. E que cada jogador saiba: ele tem torcedores até na Rússia - brinca.

Fonte: http://globoesporte.globo.com/Esportes/Noticias/Times/Flamengo/0,,MUL1413829-9865,00.html

Um hexa (também) conquistado fora de casa

Elevação do desempenho do Flamengo como visitante leva equipe ao título
Da equipe do site oficial do Flamengo
Vitória no Palestra Itália: um marco da campanha
A força do Flamengo no Maracanã sempre foi conhecida. Ao lado da torcida, o clube tem alguns títulos históricos. Fora dos seus domínios, já é diferente. Não são poucos os que questionavam a capacidade do Flamengo para ganhar jogos na casa dos adversários. Mas foi justamente graças ao desempenho como visitante que a história do Hexa começou a ser construída. O Flamengo ganhou 26 dos seus 67 pontos (38,8%) em partidas em que o mando do jogo era do oponente - incluído aí o Fla-Flu válido no primeiro turno (0x0).

Embora não tenha sido o melhor desempenho como visitante na competição - o Cruzeiro, entre os cinco mais bem colocados obteve 29 pontos -, a recuperação da equipe quando teve que sair do Rio de Janeiro derrubou todas as previsões de matemáticos como o professor Tristão Garcia, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Em sua metodologia, o especialista leva em conta o desempenho regresso dos times quando jogam fora. E o primeiro turno do Flamengo foi apenas regular. Dos 27 pontos disputados com seu nome na coluna 2 da Loteria Esportiva, a equipe amealhou 08 (29,6%) - abaixo da chamada média inglesa (33,3%).

Depois de começar mal o segundo turno, com derrota para o Avaí na Ressacada, onde jogou com muitos garotos da base, a equipe reforçada por Álvaro e Maldonado ganhou consistência defensiva e começou a garimpar pontos preciosos longe do Rio. Empatou com o Atlético-PR na temida Arena da Baixada e mostrou muita fibra num completamente alagado Beira Rio, onde o Internacional era tido como favorito. Foram dois 0x0 - exatamente a vantagem do Rubro-Negro para o segundo colocado na tabela de classificação - o próprio Inter, que obteve 25 pontos longe do seu estádio.

Outro empate, conquistado nos descontos diante do Vitória, no Barradão, manteve a confiança do grupo e da torcida nas possibilidades de ganhar uma vaga na Libertadores. O sonho do título começou a se desenhar quando o Flamengo venceu com autoridade o então líder do campeonato, o Palmeiras, em pleno Palestra Itália, para perplexidade dos alviverdes de São Paulo. Mesmo num clássico, no campo ao qual o Botafogo está mais habituado, o do Engenhão, a equipe de Andrade mostrou personalidade e derrotou o velho rival.

Na rodada seguinte, um tropeço inesperado na Arena Barueri. O time da casa jogou melhor, criou mais chances e venceu com justiça - em triunfo arranhado pela suposto recebimento de "mala branca" por parte dos jogadores do Barueri, a partir de depoimento de dois atletas da equipe paulista a uma rádio.

A partir daí, superando todos os prognósticos, a equipe da Gávea venceu todas fora de casa: Atlético-MG (1x3), Náutico (0x2) e Corinthians (0x2). Uma arrancada sensacional que levou o clube das posições intermediárias para o topo da tabela ao final da penúltima rodada.

O desempenho no returno foi excepcional, mas no primeiro turno o Flamengo também conquistou pontos essenciais fora de casa. Entre eles, o empate com o então tricampeão nacional, o São Paulo, dentro do Morumbi, e a vitória sobre o Santos na Vila Belmiro, que quebrou um tabu de mais de 30 anos no local.

Veja o desempenho das cinco equipes mais bem colocadas como visitante:

Flamengo - 26 pontos
Internacional - 25 pontos
São Paulo - 23 pontos
Cruzeiro - 29 pontos
Palmeiras - 19 pontos

Fonte: http://www.flamengo.com.br/site/noticias/noticia.php?id=7567