Antes
de seu início, a final do Carioca tinha um ar de protocolo como se o
Flamengo se encaminhasse para o título sem obstáculos, sem rival. Sim,
havia pela frente o respeitável Fluminense de boas campanhas no
Brasileiro e Libertadores. Mas parecia uma diferença técnica grande para o time tricolor superar em dois jogos, mesmo diante da tradição do clássico.
De
uma certa forma, os dois Fla-Flus confirmaram essa tese. Não que tenha
sido um passeio no parque, uma caminhada na praia para o Flamengo. Houve
luta tricolor. Mas faltou mais competição para manter o time vivo de
verdade diante de um time superior.
Ao contrário do primeiro
jogo, o Fluminense até tentou uma marcação pressionando o Flamengo no
início da segunda decisão. Equilibrou a partida durante 15min. Até que o
peso da idade de seus atacantes Nenê e Fred não lhe permitiu manter o
ritmo e passou a entregar o jogo à técnica superior rubro-negra.
O
Flamengo saia para jogar à vontade, dominava o meio-campo e circulava a
bola sem ser incomodado. Ao final do primeiro tempo, tinha mais de 70%
de posse de bola. Não chegava a ser um domínio com chances
avassaladoras. Mas o Fluminense não conseguia sequer jogar. Não tinha
contra-ataque, não tinha chances. Era uma nulidade.
Adotar este tipo de postura diante do Flamengo costuma ser fatal. E foi. A bola tanto girava até que Gabigol
a enfiou para Arrascaeta, que foi derrubado de forma atabalhoada por
Marcos Felipe. Pênalti que Gabigol voltou a cobrar com a tranquilidade
de quem vai à praia.
Quase ao final do primeiro tempo, foi metida
por Filipe Luís a segunda bola para o centroavante no canto da área
tricolor. Havia pouco ângulo para a conclusão. Ele meteu o pé esquerdo
na bola, e Marcos Felipe aceitou. Segunda falha na noite.
A volta
do intervalo revelou um Fluminense mais vivo no jogo, como já ocorrera
em outros clássicos. As duas substituições de Roger Machado incluíam
Gabriel Teixeira e Caio Paulista na partida. Mas o ataque continua a
repetir a falta de mobilidade. Era o bastante para botar um Flamengo sob
pressão, já que o time rubro-negro costuma voltar mal para o segundo
tempo.
Não sobravam chances ao Fluminense quando Rodrigo Caio
chutou a perna de Caio Paulista em pênalti claro. O árbitro Bruno Arleu
precisou do VAR para marcar. De resto, o juiz tinha problemas no jogo.
Para cartões amarelos, por exemplo, tinha um critério claro: só dava
para quem não tivesse um anterior. Era intimidado e tentava levar o jogo
sem grande certeza. Valia para os dois lados.
Parecia que haveria
uma reação tricolor. Parecia? Faltava força ao time, enquanto ao
Flamengo faltavam pernas. Rogério Ceni demorou a substituir, mas trocou
Gabigol e Arrascaeta por Pedro e Vitinho. A segunda troca era
necessária, a primeira, discutível. Mais adiante, colocou João Gomes no
lugar de um Gerson longe de ser brilhante.
E foi o volante da base
que fez o gol depois de jogada lutadora de Pedro. Dominou evitando o
combate do zagueiro, tabelou com Vitinho e chutou para Marcos Felipe
espalmar para João Gomes fazer o terceiro. Era a terceira falha de
Marcos Felipe.
Um time claramente superior e um goleiro rival
falho não criam grandes dúvidas sobre o resultado da decisão do Carioca.
Foi um protocolo e um alívio para o Flamengo por cumprir o que dele se
esperava. Dos seis tricampeonatos rubro-negros, este certamente é aquele
em que o time tem maior diferença para os rivais. Não é à toa que
desistiu de ter estrelas na camisa por Estaduais há bastante tempo.